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O sujeito da linguagem

Por que, dentre todos os enunciados que uma língua nos permite produzir em um certo momento, apenas um é de fato enunciado? O que produz esse acontecimento singular?  Essa questão, debatida por Foucault em livros como A Arqueologia do Saber e A Ordem do Discurso , é também central para mim aqui. Retomo-a sempre, seja como um norte dá algum rumo para os meus estudos, seja como um quadro em que organizo as figuras que coloco em cena nos meus textos.  O filósofo francês entende esse acontecimento do enunciado enunciado como um produto da história , parte de uma formação discursiva, governado por procedimentos de controle dos discursos. No que se refere à criação de enunciados, a liberdade do falante seria bastante relativa portanto. Até mesmo a produção de verdades pela ciência dependeria menos de um esclarecimento racional do que de um saber historicamente constituído, isto é, de um conjunto de valores, crenças e premissas que são da dimensão do social-cultural-político. Talvez...

O trabalho da liberdade em Foucault

Foucault não é citado no artigo de Zack Beauchamp na Vox , mas o texto ecoa o pensamento do filósofo francês. O que ele diria a respeito?  Que não há normas "boas" ou "más", que todas as normas sociais nos oprimem, mas também nos empoderam.  Ele diria ainda que a nossa liberdade depende da prática da crítica, uma prática que consiste em investigar os processos que moldaram o nosso modo de ser, e então tomar medidas a respeito. Para Foucault, liberdade é aquilo que conseguimos fazer de nós mesmos em um contexto histórico específico.   Leia também: O sujeito e a história