Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Subjetividade

Tornar-se outro

“Que fazer para ser outra pessoa? Impossível. Seria preciso já não sermos ninguém, esquecermo-nos por alguém, uma vez pelo menos.”  Albert Camus em A queda   Cada um de nós, a todo momento, quer se tornar um pouco outro. Talvez seja impossível haver alguém que, agora mesmo, não deseje mudar alguma coisa em si - geralmente um bocado de coisa.  A própria natureza realiza a transformação, muitas vezes à nossa revelia. A partir de uma certa idade, é inevitável envelhecer a contragosto.  Antes, muito antes disso, as crianças costumam reclamar porque não são grandes o suficiente para fazerem tudo o que querem. Iludem-se, sabemos bem, vão continuar querendo e não podendo o resto da vida. E não podendo até mais. Porém, tudo o que elas percebem agora é que os adultos proíbem-nas de fazer as coisas que eles próprios fazem, e se gabam de fazer.  Uma vez ou outra, a gente encontra um desses guris que não desejam crescer. Parece satisfeito em ser o que é.  Muito mais co...

O sujeito e a história

Suponhamos que o sujeito não consiga ter clareza das suas emoções e dos seus pensamentos até que lhes dê um nome e conte uma história sobre eles, nem que seja para si mesmo somente, em silêncio. Suponhamos que as palavras em geral não apontem para as coisas em si, mas para outras palavras, que as definem. Suponhamos que o sentido das palavras esteja inextricavelmente ligado ao contexto social & cultural em que são ditas, tanto o mais imediato quanto o mais distante. Suponhamos que o contexto social & cultural jamais permaneça o mesmo no tempo e no espaço. O que o sujeito pode dizer de verdadeiro a respeito de si mesmo, da vida e dos livros? O que pode dizer que não seja tão passageiro quanto a história? Leia também: O sujeito da linguagem

O trabalho da liberdade em Foucault

Foucault não é citado no artigo de Zack Beauchamp na Vox , mas o texto ecoa o pensamento do filósofo francês. O que ele diria a respeito?  Que não há normas "boas" ou "más", que todas as normas sociais nos oprimem, mas também nos empoderam.  Ele diria ainda que a nossa liberdade depende da prática da crítica, uma prática que consiste em investigar os processos que moldaram o nosso modo de ser, e então tomar medidas a respeito. Para Foucault, liberdade é aquilo que conseguimos fazer de nós mesmos em um contexto histórico específico.   Leia também: O sujeito e a história